quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nova estrela no firmamento

Hugo Norreia, de 13 anos de idade, sagrou-se campeão nacional junior de decilitranço, no âmbito do desporto escolar. Original de um casebre nas cercanias da ETAR de Idanha-A-Velha, este talento emergente revelou a’O Bico: “é o gongretizar de um zonho”.

As provas, que incluíam o degustar de uma garrafa de bagaço enquanto metia a segunda numa Casal BOSS, bem como o consumo de um almude de tinto martelado durante a primeira parte de um jogo da bola, no pelado ao lado da azenha, foram brilhantemente superadas por este jovem prodígio.

Qualifica-se assim para os regionais, onde irá defrontar o pároco de Carrazeda-O-Velho (campeão em título), um cabo da GNR de Vilar Formoso, Zé Tó Osga - que pretende manter o anonimato - e o presidente da junta de Farminhão de Besteiros.

O companheiro da mãe, orgulhoso, prometeu já que durante duas semanas não lhe chega o cinto ao pêlo, “nem que o veja outra vez a montar as ovelhas. O rapaz merece!”

Hugo Norreia confidenciou ainda a’O Bico "o meu pai só me fazia aquelas coisas estranhas porque gostava de mim. Quando é que ele volta para casa?". Depois, quando percebeu que o assunto era outro, acrescentou: "Bota cheio!"

Nazaré Guada, professora primária, vaticina um futuro risonho ao seu aluno, agora que ele poderá vir a ter autorização para dormir do lado de dentro do curro do bode, pelo menos durante o Inverno.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Funcionário Público despedido

Fagundes Graçado, 2º escrivão da conservatória do registo civil de Angra do Heroísmo, foi ontem sumariamente exonerado das suas funções. A causa, ao que O Bico apurou, terá sido um acumular de falhas grosseiras no atendimento ao público.

Ao que parece, terá dado o bilhete de identidade a um utente, sem lhe exigir o mesmo para prova da sua identidade. Bernardo Cumento, chefe de secção, clarificou a posição da conservatória do registo civil: “Foi um desleixo imperdoável. Este senhor já há muito tempo que vinha pisando o risco. Uma vez apôs um carimbo num documento, despachando-o mais que dois dias antes de acabar o prazo. Doutra, aceitou um formulário onde faltavam duas pintinhas em dois "is" e o rabilho de porco num "o". Chegou inclusive a aceitar um requerimento já depois das 16:32:14, quando sabia muito bem que o horário de atendimento ao público cessava às 17! Esta foi a gota de água!”

Um colega de Fagundes Graçado, que não se quis identificar, por morar no 2º direito do mesmo prédio e temer represálias, confidenciou-nos ainda: "Esse indivíduo nunca mereceu a confiança nele depositada. Chegava a preencher requerimentos a uma velhinha que não sabia ler e até sei de fonte segura que nem sempre tomava o café das dez e meia e, quando o fazia, voltava ao seu posto antes de almoço. E nunca reenviou os mails com aqueles anjinhos ou a fada do sexo!"

Do processo disciplinar de que foi alvo, resultam factos bastante suspeitos àcerca do seu comportamento sócio-profissional. O computador de Fagundes Graçado não tinha nenhum programa instalado para além do software governamental e de um editor de texto. Uma consulta ao histórico da internet acabou por confirmar as piores suspeitas, pois não apresentava registos de pornografia nem de jogos online. Para cúmulo, os colegas foram unânimes em afirmar não ter memória de que Fagundes tenha, alguma vez, utilizado a sanita.

Perante isto, o psicóloco clínico Dr. Agapito Linho escreveu: "A sua falta de interesse em observar material de conteúdo pornográfico revela uma orientação sexual, no mínimo, duvidosa. Este comportamento é típico de pessoas com psicoses extremas - como nós dizemos em termos clínicos - um tarado nojento! A sua falta de inclinação para a socialização através de jogos, messenger e troca de e-mails indicia uma falta de perícia na manipulação de computadores na óptica do utilizador, o que é uma premissa básica de qualquer concurso público. A sua comprovada vergonha em defecar em horário de expediente é reveladora do diferendo que o indivíduo mantém com a própria humanidade, retendo as fezes como retém dentro de si, certamente, um profundo ódio e desprezo por toda a existência humana, a começar pela sua. Mais que despedi-lo com justa-causa, recomendo que seja garroteado, se tal não for contra a lei."

O registo civil de Angra do Heroísmo pondera agora dinamizar acções pedagógicas junto dos seus funcionários, de modo a evitar novos problemas. Para o efeito terá já entrado em contacto com funcionários do governo civil local, que ainda não terão aceitado o convite por este estar “a aguardar deferimento”. Já o décimo-terceiro notariado da cidade se dispôs a colaborar num hipotético programa simplex, assim que acabe de calcular - por método moeda ao ar rectificado - o valor dos emolumentos a haver.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Quaresma monta banca de melões

Foi sob uma chuva de melões que Ricardo Quaresma terminou o seu primeiro treino em Stamford Bridge. Três caneladas, sete trivelas ao lado e uma bola em cheio nas trombas de um brasileiro de bigode marcaram o primeiro dia do ciganito de ouro nos relvados britânicos. «Foi um bom começo» afiançou Quaresma aos microfones d’ O Bico «e como viram não houve navalhada».

O pequeno calé chegou ao balneário do Chelsea após uma etapa bem sucedida no Inter de Mourinho. Doze minutos em campo e um tiro à bandeirinha de canto marcaram a gloriosa jornada transalpina que lhe rendeu um maseratti amarelo canário e o prémio “Bidon de Ouro” para a melhor-transferência-do-ano-tirando-todas-as-outras. O carinho dos adeptos fez-se sentir até à porta do avião com suspiros de alívio que abafaram o roncar dos reactores.

À sua chegada a Heathrow, foi exuberante o entusiasmo dos adeptos do Manchester United que lhe ofereceram ramos de flores e caixas de melões. «Reforços destes são sempre bem vindos e o Manchester já não tinha uma notícia tão boa desde a chegada do Cristiano Ronaldo», rematou um dos red devil, lavado em lágrimas. Inquirido sobre a chegada do transumante canhoto, o treinador do Liverpool foi mais lacónico, limitando-se a esfregar as mãos até começarem a deitar fumo.

Ao início da tarde, Quaresma foi apresentado à imprensa. Paco Bandeira abrilhantou a festa entoando cantigas de contrabando sob o olhar aterrado de duas dançarinas sevilhanas. Em resposta às questões colocadas, o pequeno génio coçou a cabeça, esfregou os brincos e descascou um melão com uma butterfly sacada de trás da orelha, num gesto interpretado pela imprensa britânica como de adaptação à língua inglesa.

Minutos mais tarde, em pleno relvado, o jovem Ricardo coração-de-melão encantou os presentes com fintas a um apanha-bolas paralítico que só por encadeamento não conseguiu travar as investidas do extremo. E o facto de ter vestido a camisola pelos pés resultou, aos olhos da imprensa, como uma das mais finas ironias desde a invenção da bola.

Mas terá sido no primeiro treino a doer que os blues tiraram as dúvidas sobre as qualidades técnicas deste extremo de grandes patilhas. Scolari já tinha avisado que vinha aí um desequilibrador, um “menino” capaz de virar a defesa do avesso, um homem detentor de um pique endiabrado capaz de pôr defuntos a dançar flamenco. O próprio Guus Hiddink afirmou: “Deze man is een schande!”, que pode ser traduzido em português por “Nem dez homens lhe chegam às sandálias!”

Com o objectivo de dar fluidez ao flanco esquerdo e deixar respirar a magia que exala das chuteiras do médio-ala, foi ensaiada uma nova táctica defensiva que consistiu na remoção de todos os defesas dessa zona do campo. Quaresma respondeu com um festival de trivelas exóticas, umas para a bancada, outras para o centro urbano de Chelsea. O mais que conseguiu com a chicha foi pôr um nariz a pingar quando John Terry se dirigiu na sua direcção com os punhos cerrados para lhe dar um afago.

Aproveitando a notoriedade da transferência, um grupo itinerante de representantes de uma determinada minoria étnica montou tenda à porta do estádio com uma vasta oferta de roupa de marca É Pra Despachar Pessoal, Dez Pares de Meias a Cinco Èros. Quaresma apressou-se a bivacar uma banca de melões tirando partido do stock angariado desde a vinda do aeroporto.

O Bico augura um ano em cheio para o ex-portista, tendo em conta o preço a que anda a meloa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Herman volta ao formato de sketches.

A SIC, cansada de críticas ao humor revisteiro de Herman José, decidiu chamar o "verdadeiro artista" ao gabinete da gerência. Foi o próprio Nuno Santos que comunicou a Herman algumas imposições que a estação pretende ver acatadas, visando recuperar o humorista com quem assinou um contrato milionário até 2076, nunca capitalizado em audiências.

A reunião não terá começado na melhor maneira, pois quando Nuno Santos começou por dizer que pretendia mudar o formato do programa, Herman terá dito: "Mas e que formato é que queres? Piramidal, Dodecagonal ou, simplesmente, CAGONAL?" após o que terá explodido em risos, imitando flatulências com o sovaco, perante a cara de infelicidade da administração.

O que o canal de Carnaxide acabou por lhe conseguir comunicar, veio O Bico a saber, era que Herman José passasse a vestir roupa de homem, deixasse de pintar o cabelo com tinta fosforescente e retomasse os programas de sketches, mas sem copiar nada aos Monty Python. O genial Herman não tardou a encontrar uma solução original: Serão 13 episódios recorrendo, unicamente, a tartes de nata, tábuas ao ombro, galinhas de borracha e flores na lapela que esguichem água.

Os primeiros dias de gravação, porém, correram de forma desastrosa. Maria Vieira comeu todas as tartes de nata e Ana Bola confundiu Maria Rueff com a galinha de borracha, tendo tentado virá-la do avesso com dois dedos. Joaquim Monchique fazia uma cara muito estranha de cada vez que a flor do Herman lhe esguichava a cara e Vítor de Sousa não deixava mais ninguém levar a tábua ao ombro. "Se é para levar, levo eu!" disse, convicto. O caos foi total e o humor parecia o das piadas do António Sala. Herman despediu todo o elenco e tentou contratar Fernando Rocha, mas o homem das anedotas recusou por não se rever no humor primário e ordinário a que o Herman habituou os telespectadores.


O gabinete de produção da SIC não se deu por vencido, pois os filmes mudos têm um orçamento muito atraente e o público, assim que soube que não teria de ouvir o Herman a cantar, respondeu de maneira muito positiva. Afinal, como do que se tratava era de recuperar monos, a SIC reconstruiu o elenco, recrutando das suas prateleiras o bruxo Alexandrino, o imitador Fernando Pereira. o palhaço do Batatoon e o macaco Hadriano - que exigiu, de imediato, o protagonismo, retirando a flor-que-esguicha da lapela de Herman José.

Herman, infeliz e magoado, decidiu rescindir contrato com a SIC e regressar, como corista, ao Parque Mayer, à espera que outro Nicolau Breyner o descubra.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nobel da literatura contestado



A Associação do Livre Escritor da Coreia do Norte, pela boca do seu "venerando líder" Kim Jong-Il, fez ouvir o seu protesto contra a Academia Sueca, por esta ter, mais uma vez, atribuído o prémio Nobel da literatura "a um Ling qualquer", negando-o ao "venerando intelectual" Kim Jong-Il - que é, segundo o próprio, o melhor desenhador de letras do seu país e, consequentemente, do mundo. A associação rejeitou também as acusações de plágio de que o seu membro tem sido alvo: "os meus livros são vermelhos, mas para o clarinho!", terá exclamado o "erudito líder".

O "adorado líder" é nacionalmente reconhecido como o mais prolífico pensador do mundo moderno, estando quase a atingir o nível do único vulto com quem merece comparação: o "grande líder" Kim Il Sung, seu pai. A lógica deste insigne sábio é imbatível, como o prova o facto de ser, provavelmente, a única pessoa que vive no seu país que nunca foi preso/torturado/espancado por se exprimir livremente em público.

Este veemente protesto terá já merecido todo o apoio por parte da Lisnave, que pondera montar um piquete à porta da Suécia, para gritar, ao megafone, as suas razões. Esta manifestação de solidariedade será encabeçada pelo esquivo Sindicalista da Lisnave, personagem mítica que é um entusiasmado "pen-friend" do grande vulto literário norte-coreano, desde os tempos em que este lhe ministrou três acções de formação na Arte Panfletária.

Paralelamente, o governo da Coreia do Norte, pela boca do "vetusto líder" Kim Jong-Il, acaba de declarar o fim da crise alimentar - que, aliás, nunca existiu - no seu país. Ao que parece, alguns testes efectuados pela superior tecnologia nuclear norte-coreana, liderada pelo seu melhor astrofísico, o "sapiente líder" Kim Jong-Il, tiveram como efeito o aparecimento de grãos de arroz de tamanho inusitado, com cada grão a rondar o peso de um norte-coreano e alguns, mesmo, o peso de um etíope. Um ou outro efeito secundário, "maliciosamente causados por Seul", afectando milhões de norte-coreanos, foi minimizado como "um esforço individual menor, tendo em vista um melhor futuro em comum."

Entrementes, o estado-maior de Pyongyang encontra-se efervescente, revelou a'O Bico o "marechalíssimo líder" Kim Jong-Il: "Como maior estratega militar de todos os tempos, informo que, para glória da nossa, digo, minha república popular, está para breve a anexação da Coreia do Sul, seguindo-se a China, a URSS e o Império do Sol Nascente. E os Estados Unidos! Não admito que ninguém confunda a minha bela capital com ténis-de-mesa, mesmo que se chame Jimmy Carter e seja presidente cessante!"

O "querido líder" Kim Jong-Il, que conta já com 67 risonhas (pelo menos para ele) Primaveras, é uma personagem controversa: patusco ditador de um país à beira do colapso, para uns. Querido líder, para ele e para um rapazinho. Também há um senhor do PCP que não tem bem a certeza se ele é um democrata. É assim a modos que um democrata não-praticante.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Advogado equivoca-se e processa-se a si próprio, tendo conseguido condenação exemplar!

O Dr. Purstenso havia sido nomeado advogado oficioso de um cidadão vítima de espancamento por uma horda de ciganos sem vacinas.

A história remonta a 1994, quando o sr. António¹ comprou uma camisola Lacoste por dois contos e trezentos, após regateio, numa feira. Para sua surpresa, assim que chegou a casa constatou que a dita camisola era contrafeita, pois a sua esposa te-lo-á alertado para o facto de o ornitorrinco não ser o emblema da conhecida marca.

Sentindo-se enganado, voltou à feira para confrontar o vendedor com o sucedido. Este, levou o caso a mal, tendo-se o resto da tardinha desenrolado de forma desagradável para o sr. António, bem como para os automobilistas que pararam para ver a pancadaria, todos eles prontamente autuados pela PSP.

Em 1996, quando recuperou a consciência, o sr. António¹ pretendeu processar civil e criminalmente os responsáveis pelo sucedido, tendo o Estado nomeado como seu defensor oficioso o Dr. Purstenso.

Tomando o caso a seu cargo, o advogado começou imediatamente, em 1998, a estudar o processo, fundamentando toda a defesa do sr. António¹ na tentativa de provar a falta de brio profissional da generalidade dos ciganos, bem como o total desprezo com que aquela raça encara valores humanos e a total ausência de dignidade social, bem patente na sua auto-exclusão do convívio com pessoas. Também aludiu a um linchamento.

O processo, laboriosamente elaborado após os vodka-martinis matinais, deu entrada no tribunal no advento do presente século, tendo transitado hoje em julgado.

Durante o julgamento, o Dr. Purstenso não foi parco em adjectivos como “falsos”, “matreiros”, “corruptos”, “vigaristas”, “ladrões” e “malcheirosos”. Contudo, uma imprecisão na elaboração do processo, onde trocou o preenchimento dos quadros “Lelo Maia – Cigano” com “Dr. Purstenso – Advogado”, resultou num bizarro desfecho.

Declarando-se “comovido com a inesperada sinceridade de um advogado”, o Meritíssimo Juiz, Dr. Bandalho, deu todos os factos como provados, excepto o linchamento, condenando o réu a 36 anos bissextos de trabalhos forçados nos Farilhões.

O Bico tentou obter uma reacção por parte do sr. António¹, mas este encontrava-se entretido no meio dos familiares do sr. Lelo Maia, (ao que consta dos autos) seu advogado.
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¹ - nome fictício de Aurélio Meireles Botelho, Rua da Liberdade-23, Rio Tinto

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Portugal - janela de desenvolvimento





O Ministério da Alquimia e da Inocuidade Placebemática continua como uma das mais activas pastas deste governo.

Invertendo a estagnação ideológica nacional, este ministério enveredou por uma nova iniciativa, visando beneficiar a imagem luso-portuguesa. Enquadrada num programa tecnologicamente chocante, resultou no envio da nata dos taxistas nacionais, de idades compreendidas entre os 40 e os muitos anos, para o Royal College of Something, no Reino Unido, para cultivar boas maneiras, estragão e couves-galegas.

A aprendizagem decorreu sem incidentes de maior e os resultados não se fizeram esperar: os taxistas londrinos já acertam nas sarjetas com duas escarretas em cada três, mesmo com o palito ao canto da boca! Também esta semana um incauto súbdito de sua majestade terá pago 270 libras por um frete de 2 km, mais 40 libras pela bagagem - que nem sequer era dele - ao mesmo tempo que aprendia a genealogia do Rui Costa, as façanhas do Chalana no Bordéus, a idade da última namorada do Ronaldo, as vantagens do clima português e as medidas "daquela boazona ali dentro do descapotável amarelo".

Os magriços tiveram ainda tempo para, à boa maneira britânica, apanhar um carroção monstro num pub do Soho e escavacar duas metades do sítio. "Estes bifes não nos querem vender a saídeira!" terá exclamado Miguel Abrêgo, um dos intervenientes, vagamente corroborado por Hull I. Gan, amigo de ocasião, afadigado a segurar o infeliz barman pela orelha que sobrava.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ainda a luta dos professores...

Professores contestam métodos sindicais

Um grupo de professores, encabeçado pelo Intelectual de Barreiro de Besteiros, reuniu na passada semana com o senhor professor Mário Nogueira, dono da FENPROF.

Esta reunião visou a contestação aos métodos de luta sindicais, por estes, no entender dos professores, não dignificarem a classe docente. Os professores entregaram ao sindicato uma lista de exigências:

-Submeter todas as tarjas e cartazes a aprovação, à luz do novo acordo ortográfico, por professores de português;
-Suprimir, nas manifestações, o uso do calão, da 2ª pessoa do singular, das palavras "ele" e "ela", do pretérito imperfeito e das calças de ganga;
-Substituir as figuras de Che Guevara por gravuras de Egas Moniz;
-Trocar a foice por um tubo-de-ensaio e o martelo por uma caneta;
-Pôr-se a falar alguém que saiba ler;
-O fim dos protestos em rima pobre, ou, pelo menos, a utilização de outras formas de verso que não a quadra, tal como redondilhas, sonetos ou heróicas;
-A substituição de apitos e chocalhos de vaca por peças barrocas, interpretadas à flauta pelos professores de música;
-A recusa da utilização de bandeiras da CGTP que tenham os mesmos paus onde pegam os metalúrgicos;
-Os chavões cantados não deverão utilizar melodias do cancioneiro popular. Grieg ou Schumann são aconselhados, mas, para agradar ao sindicato, aceita-se Lopes Graça;
-Pôr-se a ler alguém que saiba falar;
-Devolver os gigantones que ridicularizam as figuras de estado ao Carnaval do Loulé. Em seu lugar, colocar os professores de Educação física a fazer cabriolas;
-Distribuir uma palmatória a cada manifestante, para enfrentar a polícia de choque;
-Alterar o trajecto das manifestações. A Assembleia da República não é, de todo, o melhor sítio para se encontrar deputados.

Uma semana volvida, e sem que tenha havido qualquer resposta por parte da FENPROF, o grupo juntou, segundo as suas contas, 2.485 milhões de professores à porta do sindicato, com um bombo, a gritar:
"Ó Nogueira, ó Nogueira
Anda cá, anda cá
Vira o cu prá gente, vira o cu prá gente
Toma lá! Toma lá"

Instado a comentar, Mário Nogueira começou por refutar os números da manifestação: "seriam uns 16". Disse ainda a'O Bico que "Não há condições para negociar com este tipo de gente. Não contem com o sindicato para descer ao nível desta gentalha que não acredito, sequer, que represente os sentimentos da classe docente. Enquanto não se quiserem sentar educadamente à mesa da negociação ao invés de atentar contra a ordem pública, não atenderei aos seus relinchos. Para chatices, já me chega a Maria de Lurdes, que, ou deixa de ser a arrogante, presumida, em jeito de testa-de-ferro de um governo prepotente e com tiques autoritaristas, ou então terá de enfrentar, na rua, a nossa força até às calendas gregas."

O Intelectual de Barreiro de Besteiros disse "Esse senhor não tem nível nenhum. Eu, com a minha 3ª Classe tirada à noite em Tondela, sei mais que muitos Doutores-de-Mula-Ruça que andam para aí, como esse senhor, que é uma idiossincrasia paraláxica, se é que me está a perceber... Decerto não estarei a ser falacioso se o apelidar de um diletante! Defronte da sua (dele) incomensurável carência frenológica, cito Kant quando diz "Os juízos da ciência devem ser, ao mesmo tempo, a priori, quer dizer, universais e necessários, e sintéticos, objectivos, fundados na experiência", ou, como dizia o velho Herodes, arengando, com muita graça, em estrangeiro: Verba ligant homines, taurorum cornua funes".

À hora do fecho da nossa edição, os nossos informadores relatavam manobras da FENPROF, convocando, por SMS, vidreiros da Marinha Grande, que se encontram já a rumar a Barreiro de Besteiros para partir a louça toda.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Contabilistas organizam RAVE

A Associação Portuguesa de Contabilistas empreende a já tradicional Rave Party de Natal.

O sr. Bonifácio Questiúncula, presidente da APC, dedicou-se a'O Bico para levantar um pouco o véu sobre o mítico evento:

"Quero, antes de mais, assegurar aos associados que iremos manter os padrões de respeito e recato que caracterizam o mundo da contabilidade, em geral, e da nossa associação, em particular. Vamos manter um firme controlo nas entradas. Os senhores contabilistas podem continuar a trazer companhia feminina, desde que, como é costume, comprovem, junto ao elemento da segurança, ter com a acompanhante vínculo matrimonial. Este ano, a novidade é que, caso não haja uma relação matrimonial, serão aceites outras situações de união de facto ou de comunhão de cama e mesa, desde que previstas nos termos da lei e comprovadas por atestado da Junta.

Depois - muito importante - fazer notar que a Associação foi sensível aos impressos 23-F de reclamação que deram entrada até 12 dias úteis após a decisão tomada em assembleia-geral de organizar o convívio, onde os associados manifestaram o seu desconforto acerca da localização do evento. Assim, a Rave Party não terá lugar nas Ruínas do Convento do Carmo, como estava previsto. A nossa Rave realizar-se-á este ano no Grande Auditório do CCB, que é mais aconchegado e onde há menos sítios susceptíveis de um associado se magoar à séria.

A partir daqui, será em tudo idêntico aos anos anteriores, sem nada que venha a causar aquelas surpresas que acontecem sem que tenhamos tempo de nos preparar para elas.

O som será de altíssima qualidade, abaixo dos 80dB, para não causar aqueles apitos nos ouvidos. As luzes serão bonitas, em estilo-gambiarra, e sem flashes, para podermos contar com a presença dos nossos associados epilépticos.

Haverá animadores em cima das colunas: Este ano a animação estará a cargo dos homens-estátua das ruas da baixa.

Haverá pastilhas - quer Valda, quer Euphon - que o tempo está fresquinho e é provável que haja muita garganta arranhada.

O DJ está já contratado. É o nosso bem conhecido DJ POC, que passará música daquela boa. Lá para o fim da tardinha, o DJ POC terá que se ausentar com os seus discos, pois já tinha um contrato-promessa assinado com umas bodas-de-ouro e, compreensivelmente, terá de o cumprir. Mas temos já garantida uma máquina de Karaoke com centenas de boleros sul-americanos, que darão para a festa se prolongar noite fora, até, sei lá, umas onze, ou, mesmo, meia-noite!

Notem bem que as despesas do bilhete de entrada são tratadas em sede de IVA, com taxa reduzida de 5%, mas não - friso: NÃO - as despesas com o consumo no interior da Rave Party. Se bem que os associados poderão pedir que a factura não venha discriminada, de modo a poder fazê-la passar por Almoço Com Cliente, nas despesas do Caixa."

O Bico aproveita para desejar a todos os leitores contabilistas um bom Natal e um feliz Balanço de 2008.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Supremo Tribunal de Justiça autoriza eutanásia

Caso inédito em Portugal! O STJ considera legítima a pretensão de Ana Abu Ratão Tapada, uma bonita mulher muçulmana perfeitamente saudável, a pôr termo à própria existência.

Nascida na Alemanha, é órfã de mãe galega e o seu pai, madeirense, é dirigente do PCP local. É de raça negra, tendo herdado a melanina do seu avô paterno que, para fugir à miséria, nadou do Saara Ocidental até à Madeira (queria ir para território espanhol, mas passou entre Tenerife e a Gran Canaria, sem ver terra).
Ainda na barriga da mãe, foi motivo de um dos característicos sonhos idealistas de seu pai: A criança havia de nascer na URSS. Fizeram-se ao caminho. Porém, toparam com um muro, o que causou um parto prematuro, mesmo à sua sombra. Na infância, veio para Portugal continental com sua mãe, que investiu metade das poupanças da família numa vivenda não licenciada em Odeceixe. Depois, quando se deu a demolição, investiu a outra metade como entrada para um apartamento nas Torres J. Pimenta, em Tróia.

Após a morte da mãe - que morreu, tragicamente, afogada na panela da sopa dos pobres - foi recolhida por um colégio católico. Lá, a Irmã Do Céu, conhecida por "A Chucha Alcatifas", tornou-se sua íntima. Porém, uma crise de fé associada à nova amiga de 11 anos da Irmã Do Céu causou a sua excomunhão, valendo-lhe, na altura, o amparo da Mesquita de Lisboa. Lá, o Sheik Vaiz Mahm 'Hallah converteu-a ao Profeta, ofereceu-lhe uma burka e ensinou-lhe os bonitos ofícios de Emparelhadora de Calçado e de Cinzeiro.

Aos 18 anos tentou mudar de nome, mas tal não foi autorizado. Monárquica, filiou-se no PPM e comprou um Fiat Uno em segunda mão que, segundo o vendedor, estava Impecábel. Assim que acabou de o pagar, trocou-o por um papa-reformas. Teve 3 part-times para sustentar os estudos, que, brilhantes, lhe valeram admiração de colegas e professores. Declinou um arriscado convite para iniciar uma pequena empresa chamada Critical Software e preferiu a segurança da carreira no ensino, tendo aceite um lugar de Assistente na Universidade Internacional.

A nível mais pessoal, é sócia da União de Leiria, apreciadora de bivalves da Ria de Aveiro, de touradas de morte e faz colecção de obituários recortados do Primeiro de Janeiro, que assinava. Tem um PPR chorudo salvaguardado no Lehmann Brothers e perpetuou as recordações de infância em betamax. Possui um telemóvel dos ciganos e um portátil dos chineses onde guarda(va) as provas irrefutáveis do atentado de Camarate, assim como a sua tese de doutoramento que esta(va) prestes a concluir na Universidade Independente.

Na antecâmara da morte, doou o cérebro à ciência, que recusou por ter o frigorífico no 'descongelar'.