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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PNR afinal não é um partido inenarrável

Antecipando as eleições que se avizinham, O Bico enceta uma série de um único artigo sobre os principais partidos nacionais.

O PNR, orgulhosamente só, é uma força política há muito estabelecida no eleitorado, pelo menos dizem eles. Um alto dirigente do partido, o engenheiro Valentim Becil, contou aos nossos microfones as linhas gerais do projecto de futuro do PNR para Portugal. Entre estas, sobressai a urgência de aumentar a capacidade das forças armadas "para a nossa tropa poder acabar aquilo que o D. Fernando começou e não pôde acabar porque o maricas só se reproduziu uma vez, e ainda por cima saiu-nos fêmea, que para cúmulo se foi pôr debaixo de um espanhol!".

Também a família é uma das prioridades do PNR, disse, do alto dos seus 2 metros 0,5 decímetros, Valentim Becil: "Queremos que a família vá à missa ao Domingo como sempre foi: as recatadas donas-de-casa para as filas da frente a guardar as suas filhas, fermento da nação, enquanto os respeitáveis chefes-de-família substituem o pároco na taberna, durante a eucaristia, e os seus rebentos varões andam à bofetada uns com os outros, para aprender o que é ser homem!"

Quanto à educação, Valentim Becil diz necessitar esta de uma "verdadeira revolução, [olhou nervososamente sobre o ombroe benzeu-se três vezes] digo, alteração de fundo". Não é apenas chapar com uma bandeira nacional em cada escola nem só voltar a cantar o hino nacional às quartas-feiras de manhã. Também há que regressar aos uniformes, que são tão bonitos, e separar claramente os estudantes: futuros chefes-de-família para um lado; cursos de corte e costura ou culinária para o outro".

Além disso, confidencia-nos ainda Valentim Becil: "temos que mandar os larilas, os comunas, os objectores de consciência e quase todos os jornalistas para a ilha da Madeira, onde o nosso amigo Alberto João possa tratar deles". O dirigente madeirense terá mesmo sido convidado para um lugar nas listas do PNR, no intuito de provar que nem todos os intelectuais são de esquerda.

O PNR espera atingir os seus objectivos nestas eleições, que passam por obter cerca de 10% dos votos - aproximadamente o número de analfabetos votantes do nosso país.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Empresa de ingleses residentes em África dá lucro milionário

A ideia terá nascido no lounge d'O Peraíze Marêthme, pensão de 2 estrelas do Machico. Quatro amigos ingleses, residentes na bela ilha da Madeira, decidiram investir na criação de uma empresa de cruzeiros transcontinentais, destinada a clientes mais exigentes. A oferta desta empresa difere de outras por causa do itinerário do cruzeiro: o navio só ancora em ilhas, um pouco por todo o globo. Pretendem os investidores encontrar um nicho de mercado fiel, de pessoas que, como eles, tenham uma paixão especial por ilhas, lagostins, Mateus rosé e outras coisas mais específicas.

Contudo, a escolha do nome do barco terá sido fulcral no sucesso meteórico desta empresa. Com efeito, o navio de cruzeiro "PAN-ILHAS" atraiu desde o início milhares e milhares de clientes. Segundo um Doutor-por-extenso, a procura deveu-se a 4 factores: em primeiro lugar, na ilha da Madeira as pessoas pronunciam os "L" de forma bizarra; em segundo lugar, aí residem muitos ingleses e já se sabe como eles são; em terceiro lugar, antes isto que andar metido na droga; e por último, a escolha do comandante. Este será Ian McKellen, vestido de Gandalf the Grey. Hipóteses descartadas terão sido o padre Frederico, por não se dar com adultos, Leonardo da Vinci, por se encontrar a viver com Nicolas Flamel e Pedro Almodóvar, por já estar a ver o filme.

Segundo uma nota de imprensa emitida por El Don John, um dos sócios, "The PAN-ILHAS és uma sussexo." Esta opinião não é partilhada por Sua Majestade, que está bastante preocupada, pois estima-se que 48% dos britânicos planeie agora fazer turismo no Funchal, o que descapitalizará umas ilhas para enriquecer outras. Desta forma, a Libra seria a primeira divisa pan-ilhas da história económica. A breve trecho, Alberto João Jardim terá poderio politico-financeiro para liderar a própria religião e a Grã-Bretanha flutuará à deriva até África.

O presidente do governo regional madeirense, em traje carnavalesco e imediatamente antes e depois de uma golada num garrafão de poncha, comentou "Estou-me a cagar pra isso e pró continãnt! Até é bom que se juntem todos num batel, que sempre pode afundar. Arranjem é maneira de o Sr. Aníbal embarcar também. Digam-lhe que estão lá a dar bolo-rei".

À hora do fecho da edição, o PAN-ILHAS encontrava-se a atracar de popa numa ilha habitada por canibais, que são homens que comem homens. O Bico deseja-lhes boas férias, com muito Mateus rosé!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

CONVÍVIO SALUTAR CULMINA EM TRAGÉDIA

-atletas deficientes resolvem as coisas à moda antiga-

As meias finais do torneio de bilhar às três tabelas com bolas com cheiro, ao ar livre, inserido em festejos nunca antes vistos, organizados pela secção barranquenha da ACAPO e que decorriam numa encosta solarenga das Berlengas, viram o seu normal funcionamento condicionado, estando ainda por concluir.

Sucedeu isto por membros convidados da Delegação da Diabetes do Baixo-Vouga terem recheado de sal os croquetes destinados ao Grémio dos Hipertensos da Cova da Beira. Viriam a justificar-se, dizendo que se tratou de um ajuste de contas à pala de estes, durante a prova de Pool - Bola 9, lhes terem trocado a gelatina hiposacarósica por toucinho do céu.

Os Surdos presentes pediram à senhora da língua gestual - aquela que aparece naquela caixinha - que lhes explicasse o sucedido e esta, tentando mimar a expressão "estrebuchavam de rojo pelo chão", enfiou um dedo no olho-que-via do Rei da ACAPO, que circulava por ali, tendo este perdido o olho e, consequentemente, o título. O Bico tentou obter esclarecimentos junto da organização do evento, tendo os responsáveis garantido que iriam "observar atentamente o sucedido", enquanto se afadigavam à volta de uma revista Gina em braille.

No seguimento das altercações, o Parapresidente do Paracomité Paralímpico Português teve de receber cuidados médicos, após ter tentado apartar uma violenta cena de pancadaria entre o vice-campeão ibérico de piscina curta para tetraplégicos e um conhecido actor pentaplégico da indústria de filmes marotos. O senhor Parapresidente encontra-se já livre de perigo e a recuperar das fracturas expostas.

Durante a refrega, o núncio da Confraria dos Mudos do Alto-Douro tentou emitir um grito de socorro, mesmo em frente a uma colectividade de surdos da Brandoa. Estes, julgando tratar-se da ronca dos bombeiros, fugiram em pânico, atropelando, na debandada, toda a delegação da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.

Foi debaixo de uma salva de palmas, por parte da Confederação dos Amputados da Indústria Madeireira, que Alberto J. J., em representação dos AA, desculpou os eventuais agressores, dizendo, entre duas garrafas de poncha: "Eles só batem nos amigos quando estão com a pinga. Fora isso são uma jóia de entrevados."

Um dirigente da APAV convocou imediatamente uma conferência de imprensa nacional, à qual O Bico teve acesso exclusivo, onde reiterou que "...é tudo mentira! Ele caiu foi das escadas, depois de ter escorregado na banheira e batido com a cara três vezes na maçaneta da porta da cave." Confrontado com os acontecimentos, o porta-voz da Associação Portuguesa de Surdos-Mudos de Guães-O-Velho manteve o silêncio a que tem acostumado a comunicação social.